Então. Eu tava lá.
Eu, playboy criado a leite de pêra e ovomaltino, - tudo intriga da oposição - fui lá ver o show dos Racionais MC's, no meio da madrugada paulista, em plena Praça da Sé.
Primeiro, não acreditaram que eu ia. Pô. Que coisa. Eu realmente gosto do som deles.
Depois me falaram: "cê tá doido, vai dar merda."
Qual é o problema, mano? Não sabe brincar, não sai de casa. =^D
Chego lá, e tirando um consumo de drogas e álcool de algumas pessoas nas ruas - nada que já não tenha visto em outros shows - as coisas pareciam bem calmas. Tinha criança, tinha até gente com bebês!
Tudo na santa paz.
O show demora pra começar. Durante as primeiras apresentações do Dj gringo, Premier e de um outro grupo que eu não tenho a mínima idéia do nome, a gente vê alguns caras se amontoando nos prédios em volta, subindo em bancas de jornais e etc. Claro que tavam detonando as coisas. Invadem os escritórios pelas janelas - não quero nem imaginar a zorra que devem ter feito. Pixam paredes. E eu pensava: será que a polícia tá vendo isso?
Começa o show dos Racionais. Sonzeira. Todo mundo cantando as letras, uma sensação bacana de festa popular.
De repente, olho pro lado e começo a ver muita coisa voando. Garrafas plásticas, copinhos e depois a coisa parece ficar um pouco mais feia, com pedaços de pau cruzando sempre pro mesmo lado.
Eu pensei: "acho que vai dar merda". Mas de onde a gente tava, não tinha como saber EXATAMENTE o que estava acontecendo.
Já tinham tocado umas 3 ou 4 músicas, quando a coisa começa a ficar bem feia... Empurra-empurra na platéia... Aquela onda de gente vindo pra cima, gente caindo no chão e começam os primeiros tiros e bombas.
Uma menina tem um ataque de asma na nossa frente. Enquanto isso, no palco, os Racionais pedem pro público se acalmar, para curtirem a festa, uma festa do povo. Nada de provocação com a polícia da forma como foi alardeado por aí. Eu não vi isso.
Aí a coisa fica feia mesmo, gente correndo pra caramba, bombas e mais bombas, tiros e mais tiros... A gente vai seguindo pro fundo do público, tentando fugir principalmente da correria desesperada das pessoas. No meio do caminho, cruzo com um cara de cadeira-de-rodas. Fico imaginando com ele faria pra sair dali se a coisa ficasse mais preta. E ficou.
Quando a gente viu, a tropa de choque da PM tava empurrando todo mundo pra fora da Praça. Pessoas corriam e gritavam por todos os lados. Não tinha outra coisa a fazer, se não correr também.
Até conseguir chegar no carro com um mínimo de segurança e, rapidamente, fugir do centro da cidade, vimos de tudo: gente invadindo loja e saqueando, gente chutando carros - da polícia e de gente comum! o meu tava na fila para ser detonado.
É claro que tem baderneiro. Como tem em jogo de futebol e outros eventos. Tem cara que quer estragar a festa, que quer provocar. Sempre tem.
Mas não precisava daquilo tudo. Realmente não me pareceu que precisava daquilo tudo. Outras pessoas falaram isso. O senador Suplicy disse que a reação da polícia foi exagerada. Xico Sá deu seu depoimento corajoso aqui, contando o que ele viu. Uma amiga - Joana Beneton - disse que foi salva pelos amigos que fez lá, com um cordão de isolamento bacanudo que ajudou muita gente. Mas não era necessário. Não daquele jeito.
Não era necessário um amigo de uma amiga minha ficar todo arrebentado por causa de uma "bomba de efeito moral". =^(
Triste isso porque depois vem toda a carga de preconceito em cima dos Racionais, em cima das pessoas que foram lá curtir o evento. É fácil bater, é fácil julgar né? - com todos os sentidos que isso possa ter, para todos os lados envolvidos na questão provocadores daqui e dali.
É uma pena. Eu, com muitos outros ali, só queríamos curtir a festa, o show, a música. Uma madrugada gostosa, som rolando por vários cantos do centro, gente feliz, numa boa.
Muitos terminaram ali a sua virada cultural, broxados para ver outras coisas bem legais que tinha para ver no decorrer da madrugada e do dia seguinte.
E hoje, a gente vê, depois da cobertura preconceituosa da mídia tradicional, a cobertura de gente que estava lá, que viveu e que pode contar de forma melhor e verdadeira o que se passou. Cada um com seu ponto-de-vista.
Para terminar, segue o senador Suplicy cantando Racionais, em plena sessão para discussão da mudança da lei de maioridade penal. Com aqueles senhores senadores da República, felizes e contentes, bonachões, - Ah! ACM! - dando risada do nobre colega. Enquanto isso, um monte de gente se fode solenemente nesse país. Vida Lôka!
07 de maio de 2007 | 09:46 PM@ Jean Boechat
Falaram:
olha... eu fui embora depois do ballet stagium, quebrada de uma tarde toda de virada cultural. quando voltei, na manha seguinte em buca do pato fu, ainda nao tinha ouvido falar nada. fernanda takai falou algo sobre andre abujanra estar triste por nao ter se apresentado... so fiquei sabendo o que tinha acontecido na volta do almoço... quando cheguei em casa e liguei a tv...
deprimente.
maio 8, 2007 06:12 PM @ Karla Lopez
Tá com dó? Leva pra casa, meu amigo. Como diz um amigo meu, "...quem gosta de pobreza é rico. Pobre gosta é de luxo..."
Defendendo movimentos populares? Música do povo? Expressão de uns poucos reprimidos? Escravidão? Cotas?
Enquanto esse show de merda rolava com os favelados na Sé, o Auditório Ibirapuera estava vazio para ver um belo show de Chorinho.
Racionais my ass! Essa esquerda ainda leva o Brasil pro buraco.